DEFINIÇÃO

O pensamento crítico é um processo que consiste em questionar as opiniões, os valores e os seus argumentos, o vocabulário utilizado e a representação da realidade (teoria, etc.). A ideia é questionar a qualidade intrínseca de uma informação (forma lógica, retórica, riqueza documental, resistência aos factos, etc.), a fonte (fiabilidade ou autoridade de quem a emite, meios de comunicação social, instituição, especialista, organização, sociedade, etc.), ou a sua extensão (grau de universalidade).

PORQUE É QUE PRECISAMOS DELE?

O pensamento crítico é um método que permite formar uma opinião pertinente com base no conhecimento. Este princípio é, portanto, essencial para a autonomia intelectual. Permite-nos ter convicções sólidas, ser eficazes, manter o nosso empenho, compreender estratégias e exprimir uma opinião. Permite-nos também desenvolver um pensamento coerente e, por conseguinte, propor análises pertinentes, o que nos ajuda a pôr em prática meios de luta funcionais.

COMO É QUE FUNCIONA?

O desejo de fazer as coisas com a maior exatidão possível é essencial. Para o conseguir, é necessário compreender a importância de ter uma compreensão da realidade o mais fiável possível. O pensamento crítico começa, portanto, com um método funcional de aquisição de conhecimentos. Atualmente, o método científico parece ser o melhor: hipótese / protocolo / experimentação / meta-estudos. Podemos utilizar este princípio nas nossas próprias análises.

A VERIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES PODE SER FEITA DA SEGUINTE FORMA:

  • [QUI] Autor da informação, protagonistas encenados. Por quem, para quem, contra quem?
  • [QUOI] Natureza e caraterísticas da informação.
  • [OÙ] Nacionalidade, origem, fonte de informação.
  • [QUAND] Cronologia da informação, ligações causais. Detecta anacronismos.
  • [COMMENT] Como é que a informação é difundida. Meios utilizados (afirmações, argumentos, polémicas, etc.), todos os métodos utilizados para chegar ao público. As contradições podem ser descobertas.
  • [POURQUOI] Motivações do autor da informação (altruísmo, humanismo, manipulação, propaganda ideológica, proselitismo, marketing ou publicidade lucrativa, necessidade de reconhecimento social, etc.).

A etapa seguinte consiste em estabelecer as premissas (as proposições em que se baseiam as conclusões), definir os termos, identificar as questões e definir o problema. A etapa seguinte consiste em verificar a lógica das proposições, identificando possíveis enviesamentos cognitivos (desvios do pensamento lógico e racional em relação à realidade) e paralogismos (erros lógicos) para garantir que a ligação entre as premissas e a conclusão é pertinente.

Se não há razão para pensar algo, é melhor suspender o juízo. Por outras palavras, duvida. Conhecer os vieses cognitivos de que todos somos vítimas, bem como os sofismas e paralogismos, e interessar-se pela lógica formal são atitudes que te podem ajudar a desenvolver um espírito crítico, tanto para melhorar a qualidade do teu próprio pensamento como para medir a qualidade do pensamento dos outros.

O espírito crítico funciona melhor em contextos onde as pessoas estão abertas ao questionamento, são humildes e pedagógicas. Por outras palavras: benevolentes. [>>> Ver a FICHA DE INFORMAÇÃO “Benevolência” ]

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Crédito: PROJET MÉDUSES

Este conteúdo foi originalmente criado pelos nossos parceiros do Projeto Meduse, reproduzido aqui com a sua autorização e adotado pelo coletivo Option Végane Canada.